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Dossiê EleitoralData Duba Intelligence

Metodologia, fontes e limites

O que este dossiê mede, de onde vêm os números e onde eles não alcançam.

O que este site faz, e o que não faz

Ele registra o que foi declarado ao TSE e o coloca ao lado de indicadores públicos do período. Não avalia, não classifica e não ordena candidatos.

  • Não existe ranking de "melhor" ou "pior" em lugar nenhum.
  • Nenhum indicador é apresentado como efeito de um mandato — só como o que aconteceu durante ele. PIB, desemprego e homicídios dependem de fatores muito além do alcance de um governo.
  • Não expõe CPF, título de eleitor nem endereço de ninguém — incluindo doadores de campanha, cujo CPF é publicado pelo TSE e não é armazenado aqui.
  • Cor de partido nunca é usada como padrão visual.

A eleição de 2006

O TSE não publica o resultado de 2006 no cadastro de candidaturas. Nenhum dos oito candidatos a Presidente daquele ano tem o campo de desfecho preenchido na fonte oficial — e o mesmo vale para outras 13.834 candidaturas entre 1998 e 2022.

Isso já produziu um erro neste site: a ficha de um candidato eleito em 2006 dizia “Não eleito”, porque a ausência de dado estava sendo tratada como negativa. O erro esteve publicado e foi corrigido em 29/08/2026.

Hoje há três estados possíveis, nunca dois:

Eleito / Não eleito
o TSE publicou o desfecho.
Eleito apurado
o TSE não publicou, e o resultado foi calculado aqui — veja abaixo como.
resultado não publicado
a fonte é omissa e nada foi calculado. É ausência de dado, não derrota.

Como o resultado é apurado quando o TSE não publica

Só para cargos majoritários — Presidente, Governador e Senador — onde a regra é aritmética e não admite interpretação: elegem-se os mais votados do último turno realizado. Os dois insumos são oficiais e vêm do próprio TSE:

Votação por turno
quantos votos cada candidatura teve.
Vagas em disputa
quantas cadeiras a unidade eleitoral elegia naquele ano — o Senado renovou 1 por estado em 2006 e 2 em 2018.

Cargos proporcionais nunca são apurados assim. Cadeira de deputado não vai para quem teve mais voto pessoal: depende de quociente eleitoral, quociente partidário e sobras. Aplicar "os mais votados" ali produziria uma lista errada com aparência de certa.

O método foi conferido contra os anos em que o TSE publica o resultado, onde existe gabarito:

ConfrontoResultado
Candidaturas conferidas2.640
Acertos2.636
Divergências4
Eleições presidenciais50 de 50

As quatro divergências são cassação e eleição suplementar — casos em que quem ocupou a cadeira não foi quem teve mais voto na urna, e que contagem nenhuma tem como saber. Onde o TSE publica, o TSE prevalece sempre; a apuração só fala onde ele cala.

Valores em reais: o que está e o que não está descontado

PIB, receitas, despesas e resultados orçamentários estão a preços correntes. A variação mostrada nas fichas inclui a inflação do período e não é crescimento real.

Um exemplo concreto: entre 2022 e 2023 o PIB do Brasil sobe 8,6% nestes dados, enquanto o crescimento real medido pelo IBGE foi de 3,2%. A diferença é inflação, não economia.

A comparação que faz sentido é a que aparece ao lado de cada linha: a variação da unidade da federação contra a do Brasil no mesmo intervalo. A inflação afeta as duas igualmente, então a comparação continua válida mesmo com o número absoluto inflado.

Não deflacionamos a série aqui de propósito: o deflator correto do PIB não é o IPCA, e usar o índice errado produziria um "valor real" que parece rigoroso e não é. Rendimento médio do trabalho é a exceção — o IBGE já o publica em termos reais.

Glossário dos indicadores

Um por linha: o que mede, até onde a série alcança, como o valor do ano é formado e de onde vem. A cobertura desta tabela é lida dos próprios dados a cada geração do site — se uma série avançar ou parar, a tabela muda junto.

IndicadorAlcance Unidade, agregação e ressalvasFonte
Despesa do estado
Quanto o governo estadual empenhou no ano.
2015–2025
Brasil e todas as UFs
R$ correntes · Declaração de Contas Anuais entregue ao Tesouro.
A preços correntes. É despesa empenhada, não paga.
Tesouro Nacional — SICONFI/DCA (Anexo I-D)
Despesa da União
Despesa primária do Governo Central.
1997–2025
só Brasil
R$ correntes · Resultado do Tesouro Nacional, tabela 2.1.
Primária: exclui juros da dívida.
Tesouro Nacional — RTN, tabela 2.1
IDEB (rede pública)
Nota da educação básica pública, de 0 a 10 — anos finais do ensino fundamental.
2005–2025
Brasil e todas as UFs
indice 0-10 · Bienal: medido a cada dois anos.
É a série que melhor cabe numa janela de mandato: um mandato de governador contém duas ou três medições.
INEP — IDEB (planilha de divulgacao por UF)
IDHM
Índice de desenvolvimento humano, de 0 a 1.
1991–2010
Brasil e todas as UFs
indice 0-1 · Decenal — calculado a partir do Censo.
A última medição é de 2010. Nenhum mandato recente é coberto, e isso não tem conserto pelo lado dos dados: o índice depende do Censo.
IPEA — Atlas do Desenvolvimento Humano (Ipeadata, serie ADH_IDHM)
Inflação (IPCA)
Índice oficial de inflação ao consumidor.
1980–2025
só Brasil
% no ano · Acumulado no ano — o valor de dezembro, não a média dos meses.
Média mensal daria aproximadamente metade da inflação real e seria simplesmente errada.
IBGE — IPCA serie historica (SIDRA t/1737)
PIB por habitante
O PIB dividido pela população estimada.
2002–2022
Brasil e todas as UFs
R$ correntes por habitante · Calculado aqui, a partir de duas tabelas do IBGE.
Não é renda das pessoas — é produção por cabeça. Termina um ano antes do PIB porque depende também da estimativa populacional.
Calculado: IBGE t/5938 (PIB) / IBGE t/6579 (populacao)
População (Censo)
Contagem do Censo Demográfico, feita de porta em porta.
2022
Brasil e todas as UFs
pessoas · Decenal — existe apenas para 2022 nesta base.
Mais precisa que a estimativa, e disponível só no ano censitário.
IBGE — Censo Demografico 2022 (SIDRA t/4709)
População
Quantas pessoas o IBGE estima que moram na unidade da federação.
2001–2026
Brasil e todas as UFs
pessoas · Estimativa anual, publicada em 1º de julho.
É estimativa, não contagem. Nos anos de Censo as duas diferem.
IBGE — Estimativas de Populacao (SIDRA t/6579)
PIB
Valor de tudo o que foi produzido na unidade da federação no ano.
2002–2023
Brasil e todas as UFs
R$ mil correntes · Já vem anual das Contas Regionais do IBGE.
A preços correntes: a variação inclui a inflação e não é crescimento real. Divulgado com cerca de dois anos de defasagem.
IBGE — Contas Regionais (SIDRA t/5938)
Receita Corrente Líquida
Quanto o governo estadual arrecadou no ano, já descontadas as deduções.
2015–2025
Brasil e todas as UFs
R$ correntes · Declaração de Contas Anuais entregue ao Tesouro.
A preços correntes. Depende de o estado ter entregue a declaração.
Tesouro Nacional — SICONFI/RREO (Anexo 3)
Receita da União
Receita líquida do Governo Central.
1997–2025
só Brasil
R$ correntes · Resultado do Tesouro Nacional, tabela 2.1.
Governo Central — Tesouro, Previdência e Banco Central. Não é o setor público consolidado, que inclui estados e municípios.
Tesouro Nacional — RTN, tabela 2.1
Rendimento do trabalho
Quanto quem está ocupado efetivamente recebeu por mês, em média.
2012–2025
Brasil e todas as UFs
R$ constantes · Nenhuma: a tabela 4566 do SIDRA já é anual.
Duas ressalvas. É o rendimento efetivamente recebido — o que entrou no mês, incluindo 13º, falta e atraso —, e não o habitualmente recebido, que é a outra série do IBGE e costuma ser o número divulgado: R$ 3.492 contra R$ 3.225 em 2024, as duas oficiais. E é a única série monetária já em valores reais aqui, a preços do período mais recente da pesquisa — por isso o valor de um ano passado muda a cada nova divulgação. A variação entre dois anos continua válida; o valor absoluto só faz sentido com a data de extração ao lado.
IBGE — PNAD Continua (SIDRA t/4566)
Resultado primário da União
Receita menos despesa primária do Governo Central.
1997–2025
só Brasil
R$ correntes · Resultado do Tesouro Nacional, tabela 2.1 (acima da linha).
É o resultado cheio, sem ajustes. Não é o mesmo número que se lê quando o resultado é medido contra a meta fiscal, que exclui itens que o arcabouço permite excluir — os dois são oficiais e medem coisas diferentes. Também não inclui estados e municípios.
Tesouro Nacional — RTN, tabela 2.1 (acima da linha)
Desemprego
Percentual de quem tem 14 anos ou mais, procura trabalho e não encontra.
2012–2025
Brasil e todas as UFs
% · Nenhuma: a tabela 4562 do SIDRA já é anual. O valor é o que o IBGE publica como taxa anual de desocupação.
Até 01/09/2026 esta série vinha da tabela trimestral e o ano era a média dos quatro trimestres. Isso dava 6,85% contra os 6,6% que o IBGE publicou para 2024 — um número que não existia em publicação nenhuma. Hoje vem da série anual oficial e confere ano a ano.
IBGE — PNAD Continua anual (SIDRA t/4562)
Homicídios
Mortes por agressão a cada 100 mil habitantes.
1980–2024
Brasil e todas as UFs
por 100 mil hab. · Já vem anual do Atlas da Violência.
O IPEA revisa anos anteriores a cada edição, então a série pode mudar retroativamente entre uma carga e outra.
IPEA — Atlas da Violencia (Ipeadata)
Juros (Selic)
Taxa básica de juros da economia (Over/Selic).
1980–2025
só Brasil
% a.a. · Média do ano.
Série macroeconômica: existe só para o Brasil, nunca por estado.
IPEA — Ipeadata macroeconomico (serie PAN_TJOVER)
Mortalidade infantil
Óbitos de crianças com menos de um ano a cada mil nascidas vivas.
2000–2016
Brasil e todas as UFs
por mil nascidos vivos · Já vem anual.
A série disponível termina em 2016. Mandatos posteriores aparecem sem este indicador — não porque não houve mortes, mas porque a fonte não publicou o dado.
IBGE — Indicadores de Desenvolvimento Sustentavel (SIDRA t/3834)

Nenhum valor é estendido, estimado ou projetado para cobrir o intervalo que a fonte não publica. Onde a série não alcança a janela do mandato, a ficha fica sem o indicador — e diz quais faltam e por quê, ao pé da tabela daquele mandato. Até 01/09/2026 ela apenas omitia a linha, o que é indistinguível de esconder.

Conferência com a fonte oficial

Em 01/09/2026 cada um dos 18 indicadores foi conferido contra o número publicado pela instituição que o produz — não contra notícia sobre o dado. Sempre que possível, contra o arquivo que o próprio pipeline baixa (planilha do INEP, planilha do Tesouro) ou contra a API da instituição (Banco Central, SIDRA, Ipeadata).

14 dos 18 conferem, vários exatos até o último dígito: a Selic bate com a série do Banco Central até a quarta casa decimal (13,0282% em 2023); a série do IDEB é idêntica à planilha do INEP; o resultado primário de 2023 bate real a real (−R$ 228.499.381.293).

Uma série foi trocada por causa desta conferência. A taxa de desocupação vinha da tabela trimestral, e o valor do ano era a média dos quatro trimestres — o que dava 6,85% contra os 6,6% que o IBGE publicou para 2024, um número que não existia em publicação nenhuma. Passou a vir da série anual oficial.

Três casos em que dois números oficiais discordam entre si

  • Homicídios. O Atlas da Violência publica 21,2 para 2023; a série do Ipeadata que usamos traz 21,7. Não é ano trocado: o Ipeadata calcula a taxa com população da PNAD Contínua no denominador, e o Atlas usa outra base. A diferença é constante.
  • Resultado primário de 2023. O Tesouro anunciou R$ 230,535 bilhões em janeiro de 2024 e depois revisou para R$ 228,499 bilhões. Usamos a série revisada, que é a atual.
  • Rendimento do trabalho. O número das manchetes é o “habitualmente recebido”; o nosso é o “efetivamente recebido”. As duas séries são do IBGE e medem coisas diferentes.

E um que parece erro e não é

O IDEB dos anos finais sobe de 4,6 em 2019 para 4,9 em 2021 e cai para 4,7 em 2023. Os três valores estão na planilha do INEP. A pandemia inflou o indicador de fluxo escolar em 2021 — foi por isso que o próprio INEP comparou 2023 com 2019, e não com 2021. Uma janela de mandato que termine em 2021 mostra uma alta que o ano seguinte desfaz.

A conferência que achou um erro grande

O último indicador que faltava conferir era a receita dos estados, e a conferência foi feita em 03/09/2026. Não havia número externo para comparar o agregado — o SICONFI não publica consolidado estadual —, então ela foi à estrutura do dado. E ali estava o problema.

A receita subtraía o FUNDEB, mas não as transferências constitucionais: a parcela do ICMS e do IPVA que pertence aos municípios por Constituição e que o estado nunca teve para gastar. Em Minas Gerais, 2023, eram R$ 23,8 bilhões contados como receita do estado — e o "resultado do estado", que era receita menos despesa, publicava um superávit de R$ 24 bilhões num estado em Regime de Recuperação Fiscal.

Pior: a declaração dessas deduções muda. Em 2023, 22 dos 27 estados declaravam as transferências e 5 não; São Paulo não declarava dedução nenhuma em 2015 e 2019 e declarava FUNDEB em 2023. A variação publicada tinha saltos que eram só mudança de critério contábil.

A receita passou a ser a Receita Corrente Líquida, definida pela Lei de Responsabilidade Fiscal e obrigatória no mesmo formato para todo ente — conferida ao centavo contra o RREO em quatro pontos. O resultado do estado saiu: a RCL é receita corrente e a despesa é empenhada total, e subtrair as duas daria um déficit que não existe. A ficha diz que ele falta, pelo mesmo mecanismo que diz o resto.

O que este dossiê não tem

  • Dívida pública (DBGG) e outras estatísticas do Banco Central.
  • Orçamento por ministério — só o resultado consolidado da União e os orçamentos estaduais.
  • Programas de governo (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida): são políticas, não indicadores, e medir a execução delas exigiria uma fonte que este projeto não ingere.
  • Resultado das eleições de 2026, que ainda não ocorreram.
  • Atividade legislativa do Senado — a fonte não publica marca de proponente, e uma contagem sem esse filtro pareceria comparável à da Câmara sem ser.

O que a ficha mostra sobre patrimônio

A ficha mostra de que o patrimônio declarado é feito — imóveis, veículos, participação em empresas, aplicações — agrupado pela tabela oficial de Bens e Direitos da Receita Federal, que o TSE reusa. Onde há mais de uma declaração da mesma pessoa, elas aparecem lado a lado, uma por eleição.

Esses números não medem enriquecimento, e a diferença entre eles não é um ganho. Três razões, e cada uma sozinha bastaria: o TSE pede o valor de aquisição, não o de mercado — um imóvel comprado em 2005 é declarado pelo preço de 2005 em toda eleição seguinte; os valores são nominais, então R$ 500 mil em 2022 e R$ 550 mil em 2026 é queda depois da inflação; e tudo ali é declaração do próprio candidato, não apuração de ninguém.

A descrição de cada bem não é publicada aqui, e a omissão é deliberada. Ela é texto livre, e em 6,8% das declarações de 2026 contém o endereço residencial da pessoa — além de placa de veículo, chassi, CPF e CNPJ. O campo não existe nem no banco de dados deste projeto: o que não chega lá não chega à tela por descuido.

Ano sem declaração não aparece, e a linha ausente não é patrimônio zero. O arquivo do TSE de 2006 é um caso à parte: ele publica itens com valor zerado, e 34,8% das declarações daquele ano somam exatamente zero, contra 0,1% em todos os outros. Isso é um fato sobre o arquivo, não sobre as pessoas, e por isso essas declarações ficam de fora.

Conferido contra o DivulgaCandContas, que é outro sistema do TSE: 7 de 7 declarações de 2026 e 5 de 5 de 2022 batem ao centavo, incluindo uma com 180 itens.

Mandatos, comissões e exercício

A trajetória eleitoral lista candidaturas — as perdidas inclusive. O bloco de mandatos exercidos responde outra pergunta: se a pessoa chegou a exercer, de quando a quando. O período mostrado é o do mandato do cargo, não a data de posse ou de saída de cada pessoa: o TSE não publica saída antecipada, e por isso ela não aparece.

As comissões na Câmara aparecem com uma linha por colegiado, não por designação: a Câmara renova a composição a cada ano, e o mesmo deputado é redesignado várias vezes para a mesma comissão. O papel mostrado é o de maior peso que a pessoa teve ali, pela hierarquia formal do colegiado — quem presidiu num ano e foi suplente em outro aparece como Presidente.

Filiação a partido, bloco e liderança não entram nessa lista. A fonte também as chama de "órgão", e estar num partido não é ter assento numa comissão. Comissão de medida provisória também fica de fora: são 1.393 no catálogo, e participar delas é rotina.

O Senado tem bloco próprio, e ele é diferente em dois pontos que aparecem escritos na ficha. O primeiro é a identidade: o Senado não publica CPF, e a ligação com a pessoa que se candidata é por nome e data de nascimento — forte, não certa. Esse é o mesmo critério que a atividade legislativa de senador já usava desde o início, e ele viaja com a ressalva ao lado do dado, em vez de o bloco simplesmente não existir.

O segundo é o papel, e ele vem de duas consultas. A lista de comissões de um senador devolve apenas Titular, Suplente e Nato — nem presidência, nem a Mesa Diretora. Chegamos a registrar isso como limitação da fonte; estava errado. Presidência, vice, relatoria e secretaria estão em outra rota da mesma API, e é dela que saem também a Mesa Diretora do Congresso e a Comissão Diretora do Senado.

Fica o método, que vale para qualquer trabalho com dado público: medir a ausência numa rota não prova a ausência na fonte.

O papel mostrado é o vigente quando o vínculo está em curso, e o de maior peso da trajetória quando já terminou. Presidir um colegiado em 2015 e seguir titular dele hoje são dois fatos: tratados como um só, a Comissão de Direitos Humanos apareceria com cinco presidentes simultâneos, que foi o que a primeira versão deste modelo produziu.

Colegiado que aparece só na consulta de cargos fica sem contagem de designações — a fonte publica o cargo e não publica a designação, e o número não é inventado para preencher.

Quando a mesma pessoa aparece duas vezes no cadastro

A identidade que liga uma candidatura à outra é o CPF quando o ano o publica, e o nome mais a data de nascimento quando não publica. O CPF cobre 100% de 2006, 2010 e 2026 — mas 96,9% de 1998. Quem tem candidatura dos dois lados dessa fronteira acaba com duas identidades, e contá-las como pessoas diferentes faz o cadastro parecer ter homônimos que não tem.

De 131.567 combinações de nome e nascimento, 326 respondem por mais de uma identidade: 210 são essa fronteira — e em 204 delas os dois registros não compartilham um único ano — e 116 são homonímia de verdade. A contagem que decide se um nome é ambíguo passou a olhar só as identidades com CPF.

Isso não funde ninguém: cada candidatura continua com a identidade que tinha. E a regra que importa segue de pé — duas identidades com CPF no mesmo nome e data de nascimento são duas pessoas, e nenhuma das duas aparece, porque atribuir o mandato de uma à outra seria pior que a ausência.

O catálogo de colegiados do Senado só lista o que está em atividade, e não existe rota que devolva o tipo de um colegiado encerrado. Medido em 05/09/2026: 292 colegiados citados pelos senadores estavam fora do catálogo, e entre eles a CPMI do INSS, a CPI da Pandemia e a Comissão Representativa do Congresso — justamente o de maior peso público. A natureza desses foi lida do nome oficial por extenso ("Comissão Parlamentar Mista de Inquérito"), nunca da sigla, e a ficha diz quantos vieram por esse caminho. Os 215 vínculos de 3,0% que nem assim deram para determinar ficaram de fora em vez de virar palpite.

Conferido contra o Regimento Interno do Senado, que fixa o número de cadeiras de cada comissão permanente: a CCJ bate exatamente (27 titulares para 27 previstos), e nenhuma das cinco maiores ultrapassa o teto regimental — cadeira vaga existe, cadeira inventada não.

Conferido pela rota inversa da API da Câmara — a lista pelo órgão, e não pelo deputado: 8 de 8 colegiados com composição idêntica, entre eles a CCJC (130 = 130) e a Comissão de Saúde (99 = 99).

Emendas parlamentares

Vêm do download em lote do Portal da Transparência (CGU). São 94.463 registros cobrindo emendas de 2014 a 2026, com o valor já acumulado de empenho, liquidação e pagamento.

Não há total, e a soma dos anos não seria um. "Moveu R$ 300 milhões" sem dizer em quantos anos é um número grande e sem significado — o ano é o que dá escala à cifra. Por isso a tabela mostra uma linha por ano e nenhuma linha de soma.

Empenhado não é pago. Empenhar é reservar no orçamento; pagar é sair da conta. Entre os autores identificados são R$ 149,1 bilhões empenhados contra R$ 97,3 bilhões pagos, e mostrar só um dos dois esconderia metade da história. Emenda também não é obra entregue: ela indica destino, e quem executa é o órgão que recebe.

17% das linhas o Portal publica sem autor — 15.962 registros, R$ 18,5 bilhões pagos, que a fonte não atribui a ninguém. Não é lacuna deste projeto: é orçamento cuja autoria a fonte não revela. Emendas de bancada, de comissão e de relator geral também não aparecem em ficha nenhuma, porque são assinatura de colegiado, não de uma pessoa.

A ligação entre o autor publicado e a pessoa é feita por nome parlamentar — o Portal não publica CPF nem o identificador da Câmara. Dos 1.544 autores individuais, 1.302 resolvem para uma pessoa só; os 7 casos de homônimo — como pai e filho ambos deputados — ficam fora de qualquer ficha. Atribuir milhões de reais à pessoa errada é o pior erro possível nesta tela.

Conferido contra a cota anual de emendas individuais, que é pública: a mediana por parlamentar entre 2019 e 2022 fica em R$ 15,0, 15,8, 16,2 e 18,4 milhões, colada no teto da LDO de cada ano. De 2023 em diante os valores são bem maiores, e a explicação disso ainda não foi verificada por este projeto — está registrada como pergunta em aberto, não como conclusão.

Cores da situação no TSE

A situação do registro aparece com cor, e a cor diz em que ponto do rito o pedido está — nada sobre a pessoa.

Verde
deferido: a Justiça Eleitoral aprovou.
Âmbar
ainda não está decidido — aguardando julgamento, ou decidido com recurso em aberto.
Vermelho
indeferido, cancelado ou não conhecido.
Cinza
renúncia — ato do próprio candidato.

Duas escolhas merecem explicação. "Em prazo recursal" é âmbar, não vermelho: a decisão ainda pode mudar, e pintá-la de vermelho afirmaria um desfecho que a fonte não declara. Renúncia é cinza, não vermelho: renunciar é ato do próprio candidato, não decisão contra ele.

O rótulo continua escrito ao lado em todos os casos, e cada situação traz uma explicação ao passar o cursor ou pelo leitor de tela. Verde e vermelho é justamente o par que some para quem tem daltonismo: a cor reforça, quem informa é o texto.

Como procurar uma candidatura

A busca na página inicial cobre as 20.209 fichas por nome de urna, nome completo declarado ao TSE ou número na urna.

Buscar só pelo nome de urna perderia a maior parte de quem se procura pelo sobrenome: "SILVA" aparece em 301 nomes de urna e em 3.322 nomes completos. Por isso os dois entram.

Quando a busca diz que não encontrou, é porque não há mesmo ninguém com aquele nome — a página sabe quais trechos existem no índice antes de perguntar. Se o índice não carregar, ela diz que não conseguiu carregar, e não que não achou. As duas frases parecem a mesma coisa para quem lê rápido, e são opostas.

Prestação de contas de campanha

Além do bloco em cada ficha, há a página Quem financia as campanhas, com todos os repasses declarados numa linha por financiador × candidatura — quem financia mais de um candidato aparece uma vez para cada, com o valor de cada.

99,6% do dinheiro de pessoa jurídica vem de diretório partidário ou do fundo eleitoral, não de empresa: doação de empresa a candidato é inconstitucional desde 2015 (ADI 4650).

O prazo legal de prestação vai até depois de 04/10/2026, então a cobertura cresce a cada dia. Uma candidatura que não aparece não declarou zero — não declarou nada, e a ficha diz exatamente isso.

O nome do doador é publicado porque é dele que trata a prestação de contas. O CPF não: o TSE o publica em texto puro, e aqui ele é substituído por um código irreversível antes de ser gravado. CNPJ aparece legível — identifica empresa, não pessoa.

O endereço de uma ficha pode mudar

O endereço de cada ficha é feito do nome de urna mais o número do registro. O número não muda; o nome, sim — o TSE permite corrigi-lo depois de publicado, e 178 candidaturas já o fizeram nesta eleição, quase todas para consertar a grafia.

Quando isso acontece, a ficha ganha endereço novo e o antigo continua funcionando, encaminhando para ele. Link que você guardou ou citou não quebra. O endereço velho deixa de ser indexado pelos buscadores, para que os dois não disputem entre si, e não repete a grafia antiga em lugar nenhum — republicá-la seria continuar publicando exatamente o que a pessoa pediu para corrigir.

Acessibilidade

O site é medido contra a WCAG 2.2, nível AA, e a medição roda a cada geração — não é uma revisão que foi feita uma vez.

Os dezessete pares de cor que a folha de estilo usa são calculados nos dois temas, claro e escuro, e um par que caia abaixo do mínimo interrompe a construção do site. Três reprovavam no tema claro quando a medição começou a rodar.

Tema claro e tema escuro não são duas versões. O padrão é claro; o escuro entra quando o seu sistema declara essa preferência. Um celular no claro ao lado de um monitor no escuro mostram a mesma página com paletas diferentes — as duas medidas pelo mesmo critério.

Para quem não usa mouse: há um atalho para pular a navegação logo no início de cada página, o foco do teclado é sempre visível, e toda tabela que rola pode ser percorrida por teclado. Toda coluna de tabela é declarada como cabeçalho, para que o leitor de tela consiga dizer a que coluna pertence cada célula.

A cor nunca carrega a informação sozinha. A situação no TSE tem cor e tem o rótulo escrito ao lado, sempre. Cerca de 8% dos homens têm alguma forma de daltonismo, e verde e vermelho é justamente o par que some.

O relatório em PDF

A leitura agregada dos mesmos dados está num relatório de 31 páginas, com gráficos, ligado na página inicial. Ele não é escrito à mão: uma rotina consulta os mesmos marts que alimentam as fichas e outra formata o documento, e as duas estão no repositório junto com o resto.

Isso importa por um motivo prático. Um documento que afirma coisas sobre pessoas reais e não pode ser refeito não tem como ser conferido — e qualquer número que envelhecesse precisaria ser corrigido à mão dentro de um arquivo binário. Rodando as duas rotinas, o relatório inteiro se reconstrói a partir das fontes.

Erros

Este site é gerado por um pipeline aberto, com 257 verificações automáticas sobre os dados. Elas não pegam tudo — o erro de 2006 descrito acima passou por todas elas e foi encontrado por um leitor.

O código, os testes e o registro de cada decisão estão públicos em github.com/girocoju/dossie-eleitoral. Encontrou um número errado? Abra uma issue — a correção e o motivo dela ficam registrados lá.