Metodologia, fontes e limites
O que este dossiê mede, de onde vêm os números e onde eles não alcançam.
O que este site faz, e o que não faz
Ele registra o que foi declarado ao TSE e o coloca ao lado de indicadores públicos do período. Não avalia, não classifica e não ordena candidatos.
- Não existe ranking de "melhor" ou "pior" em lugar nenhum.
- Nenhum indicador é apresentado como efeito de um mandato — só como o que aconteceu durante ele. PIB, desemprego e homicídios dependem de fatores muito além do alcance de um governo.
- Não expõe CPF, título de eleitor nem endereço de ninguém — incluindo doadores de campanha, cujo CPF é publicado pelo TSE e não é armazenado aqui.
- Cor de partido nunca é usada como padrão visual.
A eleição de 2006
O TSE não publica o resultado de 2006 no cadastro de candidaturas. Nenhum dos oito candidatos a Presidente daquele ano tem o campo de desfecho preenchido na fonte oficial — e o mesmo vale para outras 13.834 candidaturas entre 1998 e 2022.
Isso já produziu um erro neste site: a ficha de um candidato eleito em 2006 dizia “Não eleito”, porque a ausência de dado estava sendo tratada como negativa. O erro esteve publicado e foi corrigido em 29/08/2026.
Hoje há três estados possíveis, nunca dois:
- Eleito / Não eleito
- o TSE publicou o desfecho.
- Eleito apurado
- o TSE não publicou, e o resultado foi calculado aqui — veja abaixo como.
- resultado não publicado
- a fonte é omissa e nada foi calculado. É ausência de dado, não derrota.
Como o resultado é apurado quando o TSE não publica
Só para cargos majoritários — Presidente, Governador e Senador — onde a regra é aritmética e não admite interpretação: elegem-se os mais votados do último turno realizado. Os dois insumos são oficiais e vêm do próprio TSE:
- Votação por turno
- quantos votos cada candidatura teve.
- Vagas em disputa
- quantas cadeiras a unidade eleitoral elegia naquele ano — o Senado renovou 1 por estado em 2006 e 2 em 2018.
Cargos proporcionais nunca são apurados assim. Cadeira de deputado não vai para quem teve mais voto pessoal: depende de quociente eleitoral, quociente partidário e sobras. Aplicar "os mais votados" ali produziria uma lista errada com aparência de certa.
O método foi conferido contra os anos em que o TSE publica o resultado, onde existe gabarito:
| Confronto | Resultado |
|---|---|
| Candidaturas conferidas | 2.640 |
| Acertos | 2.636 |
| Divergências | 4 |
| Eleições presidenciais | 50 de 50 |
As quatro divergências são cassação e eleição suplementar — casos em que quem ocupou a cadeira não foi quem teve mais voto na urna, e que contagem nenhuma tem como saber. Onde o TSE publica, o TSE prevalece sempre; a apuração só fala onde ele cala.
Valores em reais: o que está e o que não está descontado
PIB, receitas, despesas e resultados orçamentários estão a preços correntes. A variação mostrada nas fichas inclui a inflação do período e não é crescimento real.
Um exemplo concreto: entre 2022 e 2023 o PIB do Brasil sobe 8,6% nestes dados, enquanto o crescimento real medido pelo IBGE foi de 3,2%. A diferença é inflação, não economia.
A comparação que faz sentido é a que aparece ao lado de cada linha: a variação da unidade da federação contra a do Brasil no mesmo intervalo. A inflação afeta as duas igualmente, então a comparação continua válida mesmo com o número absoluto inflado.
Não deflacionamos a série aqui de propósito: o deflator correto do PIB não é o IPCA, e usar o índice errado produziria um "valor real" que parece rigoroso e não é. Rendimento médio do trabalho é a exceção — o IBGE já o publica em termos reais.
Glossário dos indicadores
Um por linha: o que mede, até onde a série alcança, como o valor do ano é formado e de onde vem. A cobertura desta tabela é lida dos próprios dados a cada geração do site — se uma série avançar ou parar, a tabela muda junto.
| Indicador | Alcance | Unidade, agregação e ressalvas | Fonte |
|---|---|---|---|
| Despesa do estado Quanto o governo estadual empenhou no ano. | 2015–2025 Brasil e todas as UFs | R$ correntes · Declaração de Contas Anuais entregue ao Tesouro. A preços correntes. É despesa empenhada, não paga. | Tesouro Nacional — SICONFI/DCA (Anexo I-D) |
| Despesa da União Despesa primária do Governo Central. | 1997–2025 só Brasil | R$ correntes · Resultado do Tesouro Nacional, tabela 2.1. Primária: exclui juros da dívida. | Tesouro Nacional — RTN, tabela 2.1 |
| IDEB (rede pública) Nota da educação básica pública, de 0 a 10 — anos finais do ensino fundamental. | 2005–2025 Brasil e todas as UFs | indice 0-10 · Bienal: medido a cada dois anos. É a série que melhor cabe numa janela de mandato: um mandato de governador contém duas ou três medições. | INEP — IDEB (planilha de divulgacao por UF) |
| IDHM Índice de desenvolvimento humano, de 0 a 1. | 1991–2010 Brasil e todas as UFs | indice 0-1 · Decenal — calculado a partir do Censo. A última medição é de 2010. Nenhum mandato recente é coberto, e isso não tem conserto pelo lado dos dados: o índice depende do Censo. | IPEA — Atlas do Desenvolvimento Humano (Ipeadata, serie ADH_IDHM) |
| Inflação (IPCA) Índice oficial de inflação ao consumidor. | 1980–2025 só Brasil | % no ano · Acumulado no ano — o valor de dezembro, não a média dos meses. Média mensal daria aproximadamente metade da inflação real e seria simplesmente errada. | IBGE — IPCA serie historica (SIDRA t/1737) |
| PIB por habitante O PIB dividido pela população estimada. | 2002–2022 Brasil e todas as UFs | R$ correntes por habitante · Calculado aqui, a partir de duas tabelas do IBGE. Não é renda das pessoas — é produção por cabeça. Termina um ano antes do PIB porque depende também da estimativa populacional. | Calculado: IBGE t/5938 (PIB) / IBGE t/6579 (populacao) |
| População (Censo) Contagem do Censo Demográfico, feita de porta em porta. | 2022 Brasil e todas as UFs | pessoas · Decenal — existe apenas para 2022 nesta base. Mais precisa que a estimativa, e disponível só no ano censitário. | IBGE — Censo Demografico 2022 (SIDRA t/4709) |
| População Quantas pessoas o IBGE estima que moram na unidade da federação. | 2001–2026 Brasil e todas as UFs | pessoas · Estimativa anual, publicada em 1º de julho. É estimativa, não contagem. Nos anos de Censo as duas diferem. | IBGE — Estimativas de Populacao (SIDRA t/6579) |
| PIB Valor de tudo o que foi produzido na unidade da federação no ano. | 2002–2023 Brasil e todas as UFs | R$ mil correntes · Já vem anual das Contas Regionais do IBGE. A preços correntes: a variação inclui a inflação e não é crescimento real. Divulgado com cerca de dois anos de defasagem. | IBGE — Contas Regionais (SIDRA t/5938) |
| Receita Corrente Líquida Quanto o governo estadual arrecadou no ano, já descontadas as deduções. | 2015–2025 Brasil e todas as UFs | R$ correntes · Declaração de Contas Anuais entregue ao Tesouro. A preços correntes. Depende de o estado ter entregue a declaração. | Tesouro Nacional — SICONFI/RREO (Anexo 3) |
| Receita da União Receita líquida do Governo Central. | 1997–2025 só Brasil | R$ correntes · Resultado do Tesouro Nacional, tabela 2.1. Governo Central — Tesouro, Previdência e Banco Central. Não é o setor público consolidado, que inclui estados e municípios. | Tesouro Nacional — RTN, tabela 2.1 |
| Rendimento do trabalho Quanto quem está ocupado efetivamente recebeu por mês, em média. | 2012–2025 Brasil e todas as UFs | R$ constantes · Nenhuma: a tabela 4566 do SIDRA já é anual. Duas ressalvas. É o rendimento efetivamente recebido — o que entrou no mês, incluindo 13º, falta e atraso —, e não o habitualmente recebido, que é a outra série do IBGE e costuma ser o número divulgado: R$ 3.492 contra R$ 3.225 em 2024, as duas oficiais. E é a única série monetária já em valores reais aqui, a preços do período mais recente da pesquisa — por isso o valor de um ano passado muda a cada nova divulgação. A variação entre dois anos continua válida; o valor absoluto só faz sentido com a data de extração ao lado. | IBGE — PNAD Continua (SIDRA t/4566) |
| Resultado primário da União Receita menos despesa primária do Governo Central. | 1997–2025 só Brasil | R$ correntes · Resultado do Tesouro Nacional, tabela 2.1 (acima da linha). É o resultado cheio, sem ajustes. Não é o mesmo número que se lê quando o resultado é medido contra a meta fiscal, que exclui itens que o arcabouço permite excluir — os dois são oficiais e medem coisas diferentes. Também não inclui estados e municípios. | Tesouro Nacional — RTN, tabela 2.1 (acima da linha) |
| Desemprego Percentual de quem tem 14 anos ou mais, procura trabalho e não encontra. | 2012–2025 Brasil e todas as UFs | % · Nenhuma: a tabela 4562 do SIDRA já é anual. O valor é o que o IBGE publica como taxa anual de desocupação. Até 01/09/2026 esta série vinha da tabela trimestral e o ano era a média dos quatro trimestres. Isso dava 6,85% contra os 6,6% que o IBGE publicou para 2024 — um número que não existia em publicação nenhuma. Hoje vem da série anual oficial e confere ano a ano. | IBGE — PNAD Continua anual (SIDRA t/4562) |
| Homicídios Mortes por agressão a cada 100 mil habitantes. | 1980–2024 Brasil e todas as UFs | por 100 mil hab. · Já vem anual do Atlas da Violência. O IPEA revisa anos anteriores a cada edição, então a série pode mudar retroativamente entre uma carga e outra. | IPEA — Atlas da Violencia (Ipeadata) |
| Juros (Selic) Taxa básica de juros da economia (Over/Selic). | 1980–2025 só Brasil | % a.a. · Média do ano. Série macroeconômica: existe só para o Brasil, nunca por estado. | IPEA — Ipeadata macroeconomico (serie PAN_TJOVER) |
| Mortalidade infantil Óbitos de crianças com menos de um ano a cada mil nascidas vivas. | 2000–2016 Brasil e todas as UFs | por mil nascidos vivos · Já vem anual. A série disponível termina em 2016. Mandatos posteriores aparecem sem este indicador — não porque não houve mortes, mas porque a fonte não publicou o dado. | IBGE — Indicadores de Desenvolvimento Sustentavel (SIDRA t/3834) |
Nenhum valor é estendido, estimado ou projetado para cobrir o intervalo que a fonte não publica. Onde a série não alcança a janela do mandato, a ficha fica sem o indicador — e diz quais faltam e por quê, ao pé da tabela daquele mandato. Até 01/09/2026 ela apenas omitia a linha, o que é indistinguível de esconder.
Conferência com a fonte oficial
Em 01/09/2026 cada um dos 18 indicadores foi conferido contra o número publicado pela instituição que o produz — não contra notícia sobre o dado. Sempre que possível, contra o arquivo que o próprio pipeline baixa (planilha do INEP, planilha do Tesouro) ou contra a API da instituição (Banco Central, SIDRA, Ipeadata).
14 dos 18 conferem, vários exatos até o último dígito: a Selic bate com a série do Banco Central até a quarta casa decimal (13,0282% em 2023); a série do IDEB é idêntica à planilha do INEP; o resultado primário de 2023 bate real a real (−R$ 228.499.381.293).
Uma série foi trocada por causa desta conferência. A taxa de desocupação vinha da tabela trimestral, e o valor do ano era a média dos quatro trimestres — o que dava 6,85% contra os 6,6% que o IBGE publicou para 2024, um número que não existia em publicação nenhuma. Passou a vir da série anual oficial.
Três casos em que dois números oficiais discordam entre si
- Homicídios. O Atlas da Violência publica 21,2 para 2023; a série do Ipeadata que usamos traz 21,7. Não é ano trocado: o Ipeadata calcula a taxa com população da PNAD Contínua no denominador, e o Atlas usa outra base. A diferença é constante.
- Resultado primário de 2023. O Tesouro anunciou R$ 230,535 bilhões em janeiro de 2024 e depois revisou para R$ 228,499 bilhões. Usamos a série revisada, que é a atual.
- Rendimento do trabalho. O número das manchetes é o “habitualmente recebido”; o nosso é o “efetivamente recebido”. As duas séries são do IBGE e medem coisas diferentes.
E um que parece erro e não é
O IDEB dos anos finais sobe de 4,6 em 2019 para 4,9 em 2021 e cai para 4,7 em 2023. Os três valores estão na planilha do INEP. A pandemia inflou o indicador de fluxo escolar em 2021 — foi por isso que o próprio INEP comparou 2023 com 2019, e não com 2021. Uma janela de mandato que termine em 2021 mostra uma alta que o ano seguinte desfaz.
A conferência que achou um erro grande
O último indicador que faltava conferir era a receita dos estados, e a conferência foi feita em 03/09/2026. Não havia número externo para comparar o agregado — o SICONFI não publica consolidado estadual —, então ela foi à estrutura do dado. E ali estava o problema.
A receita subtraía o FUNDEB, mas não as transferências constitucionais: a parcela do ICMS e do IPVA que pertence aos municípios por Constituição e que o estado nunca teve para gastar. Em Minas Gerais, 2023, eram R$ 23,8 bilhões contados como receita do estado — e o "resultado do estado", que era receita menos despesa, publicava um superávit de R$ 24 bilhões num estado em Regime de Recuperação Fiscal.
Pior: a declaração dessas deduções muda. Em 2023, 22 dos 27 estados declaravam as transferências e 5 não; São Paulo não declarava dedução nenhuma em 2015 e 2019 e declarava FUNDEB em 2023. A variação publicada tinha saltos que eram só mudança de critério contábil.
A receita passou a ser a Receita Corrente Líquida, definida pela Lei de Responsabilidade Fiscal e obrigatória no mesmo formato para todo ente — conferida ao centavo contra o RREO em quatro pontos. O resultado do estado saiu: a RCL é receita corrente e a despesa é empenhada total, e subtrair as duas daria um déficit que não existe. A ficha diz que ele falta, pelo mesmo mecanismo que diz o resto.
O que este dossiê não tem
- Dívida pública (DBGG) e outras estatísticas do Banco Central.
- Orçamento por ministério — só o resultado consolidado da União e os orçamentos estaduais.
- Programas de governo (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida): são políticas, não indicadores, e medir a execução delas exigiria uma fonte que este projeto não ingere.
- Resultado das eleições de 2026, que ainda não ocorreram.
- Atividade legislativa do Senado — a fonte não publica marca de proponente, e uma contagem sem esse filtro pareceria comparável à da Câmara sem ser.
O que a ficha mostra sobre patrimônio
A ficha mostra de que o patrimônio declarado é feito — imóveis, veículos, participação em empresas, aplicações — agrupado pela tabela oficial de Bens e Direitos da Receita Federal, que o TSE reusa. Onde há mais de uma declaração da mesma pessoa, elas aparecem lado a lado, uma por eleição.
Esses números não medem enriquecimento, e a diferença entre eles não é um ganho. Três razões, e cada uma sozinha bastaria: o TSE pede o valor de aquisição, não o de mercado — um imóvel comprado em 2005 é declarado pelo preço de 2005 em toda eleição seguinte; os valores são nominais, então R$ 500 mil em 2022 e R$ 550 mil em 2026 é queda depois da inflação; e tudo ali é declaração do próprio candidato, não apuração de ninguém.
A descrição de cada bem não é publicada aqui, e a omissão é deliberada. Ela é texto livre, e em 6,8% das declarações de 2026 contém o endereço residencial da pessoa — além de placa de veículo, chassi, CPF e CNPJ. O campo não existe nem no banco de dados deste projeto: o que não chega lá não chega à tela por descuido.
Ano sem declaração não aparece, e a linha ausente não é patrimônio zero. O arquivo do TSE de 2006 é um caso à parte: ele publica itens com valor zerado, e 34,8% das declarações daquele ano somam exatamente zero, contra 0,1% em todos os outros. Isso é um fato sobre o arquivo, não sobre as pessoas, e por isso essas declarações ficam de fora.
Conferido contra o DivulgaCandContas, que é outro sistema do TSE: 7 de 7 declarações de 2026 e 5 de 5 de 2022 batem ao centavo, incluindo uma com 180 itens.
Mandatos, comissões e exercício
A trajetória eleitoral lista candidaturas — as perdidas inclusive. O bloco de mandatos exercidos responde outra pergunta: se a pessoa chegou a exercer, de quando a quando. O período mostrado é o do mandato do cargo, não a data de posse ou de saída de cada pessoa: o TSE não publica saída antecipada, e por isso ela não aparece.
As comissões na Câmara aparecem com uma linha por colegiado, não por designação: a Câmara renova a composição a cada ano, e o mesmo deputado é redesignado várias vezes para a mesma comissão. O papel mostrado é o de maior peso que a pessoa teve ali, pela hierarquia formal do colegiado — quem presidiu num ano e foi suplente em outro aparece como Presidente.
Filiação a partido, bloco e liderança não entram nessa lista. A fonte também as chama de "órgão", e estar num partido não é ter assento numa comissão. Comissão de medida provisória também fica de fora: são 1.393 no catálogo, e participar delas é rotina.
O Senado tem bloco próprio, e ele é diferente em dois pontos que aparecem escritos na ficha. O primeiro é a identidade: o Senado não publica CPF, e a ligação com a pessoa que se candidata é por nome e data de nascimento — forte, não certa. Esse é o mesmo critério que a atividade legislativa de senador já usava desde o início, e ele viaja com a ressalva ao lado do dado, em vez de o bloco simplesmente não existir.
O segundo é o papel, e ele vem de duas consultas. A lista de comissões de um senador devolve apenas Titular, Suplente e Nato — nem presidência, nem a Mesa Diretora. Chegamos a registrar isso como limitação da fonte; estava errado. Presidência, vice, relatoria e secretaria estão em outra rota da mesma API, e é dela que saem também a Mesa Diretora do Congresso e a Comissão Diretora do Senado.
Fica o método, que vale para qualquer trabalho com dado público: medir a ausência numa rota não prova a ausência na fonte.
O papel mostrado é o vigente quando o vínculo está em curso, e o de maior peso da trajetória quando já terminou. Presidir um colegiado em 2015 e seguir titular dele hoje são dois fatos: tratados como um só, a Comissão de Direitos Humanos apareceria com cinco presidentes simultâneos, que foi o que a primeira versão deste modelo produziu.
Colegiado que aparece só na consulta de cargos fica sem contagem de designações — a fonte publica o cargo e não publica a designação, e o número não é inventado para preencher.
Quando a mesma pessoa aparece duas vezes no cadastro
A identidade que liga uma candidatura à outra é o CPF quando o ano o publica, e o nome mais a data de nascimento quando não publica. O CPF cobre 100% de 2006, 2010 e 2026 — mas 96,9% de 1998. Quem tem candidatura dos dois lados dessa fronteira acaba com duas identidades, e contá-las como pessoas diferentes faz o cadastro parecer ter homônimos que não tem.
De 131.567 combinações de nome e nascimento, 326 respondem por mais de uma identidade: 210 são essa fronteira — e em 204 delas os dois registros não compartilham um único ano — e 116 são homonímia de verdade. A contagem que decide se um nome é ambíguo passou a olhar só as identidades com CPF.
Isso não funde ninguém: cada candidatura continua com a identidade que tinha. E a regra que importa segue de pé — duas identidades com CPF no mesmo nome e data de nascimento são duas pessoas, e nenhuma das duas aparece, porque atribuir o mandato de uma à outra seria pior que a ausência.
O catálogo de colegiados do Senado só lista o que está em atividade, e não existe rota que devolva o tipo de um colegiado encerrado. Medido em 05/09/2026: 292 colegiados citados pelos senadores estavam fora do catálogo, e entre eles a CPMI do INSS, a CPI da Pandemia e a Comissão Representativa do Congresso — justamente o de maior peso público. A natureza desses foi lida do nome oficial por extenso ("Comissão Parlamentar Mista de Inquérito"), nunca da sigla, e a ficha diz quantos vieram por esse caminho. Os 215 vínculos de 3,0% que nem assim deram para determinar ficaram de fora em vez de virar palpite.
Conferido contra o Regimento Interno do Senado, que fixa o número de cadeiras de cada comissão permanente: a CCJ bate exatamente (27 titulares para 27 previstos), e nenhuma das cinco maiores ultrapassa o teto regimental — cadeira vaga existe, cadeira inventada não.
Conferido pela rota inversa da API da Câmara — a lista pelo órgão, e não pelo deputado: 8 de 8 colegiados com composição idêntica, entre eles a CCJC (130 = 130) e a Comissão de Saúde (99 = 99).
Emendas parlamentares
Vêm do download em lote do Portal da Transparência (CGU). São 94.463 registros cobrindo emendas de 2014 a 2026, com o valor já acumulado de empenho, liquidação e pagamento.
Não há total, e a soma dos anos não seria um. "Moveu R$ 300 milhões" sem dizer em quantos anos é um número grande e sem significado — o ano é o que dá escala à cifra. Por isso a tabela mostra uma linha por ano e nenhuma linha de soma.
Empenhado não é pago. Empenhar é reservar no orçamento; pagar é sair da conta. Entre os autores identificados são R$ 149,1 bilhões empenhados contra R$ 97,3 bilhões pagos, e mostrar só um dos dois esconderia metade da história. Emenda também não é obra entregue: ela indica destino, e quem executa é o órgão que recebe.
17% das linhas o Portal publica sem autor — 15.962 registros, R$ 18,5 bilhões pagos, que a fonte não atribui a ninguém. Não é lacuna deste projeto: é orçamento cuja autoria a fonte não revela. Emendas de bancada, de comissão e de relator geral também não aparecem em ficha nenhuma, porque são assinatura de colegiado, não de uma pessoa.
A ligação entre o autor publicado e a pessoa é feita por nome parlamentar — o Portal não publica CPF nem o identificador da Câmara. Dos 1.544 autores individuais, 1.302 resolvem para uma pessoa só; os 7 casos de homônimo — como pai e filho ambos deputados — ficam fora de qualquer ficha. Atribuir milhões de reais à pessoa errada é o pior erro possível nesta tela.
Conferido contra a cota anual de emendas individuais, que é pública: a mediana por parlamentar entre 2019 e 2022 fica em R$ 15,0, 15,8, 16,2 e 18,4 milhões, colada no teto da LDO de cada ano. De 2023 em diante os valores são bem maiores, e a explicação disso ainda não foi verificada por este projeto — está registrada como pergunta em aberto, não como conclusão.
Cores da situação no TSE
A situação do registro aparece com cor, e a cor diz em que ponto do rito o pedido está — nada sobre a pessoa.
- Verde
- deferido: a Justiça Eleitoral aprovou.
- Âmbar
- ainda não está decidido — aguardando julgamento, ou decidido com recurso em aberto.
- Vermelho
- indeferido, cancelado ou não conhecido.
- Cinza
- renúncia — ato do próprio candidato.
Duas escolhas merecem explicação. "Em prazo recursal" é âmbar, não vermelho: a decisão ainda pode mudar, e pintá-la de vermelho afirmaria um desfecho que a fonte não declara. Renúncia é cinza, não vermelho: renunciar é ato do próprio candidato, não decisão contra ele.
O rótulo continua escrito ao lado em todos os casos, e cada situação traz uma explicação ao passar o cursor ou pelo leitor de tela. Verde e vermelho é justamente o par que some para quem tem daltonismo: a cor reforça, quem informa é o texto.
Como procurar uma candidatura
A busca na página inicial cobre as 20.209 fichas por nome de urna, nome completo declarado ao TSE ou número na urna.
Buscar só pelo nome de urna perderia a maior parte de quem se procura pelo sobrenome: "SILVA" aparece em 301 nomes de urna e em 3.322 nomes completos. Por isso os dois entram.
Quando a busca diz que não encontrou, é porque não há mesmo ninguém com aquele nome — a página sabe quais trechos existem no índice antes de perguntar. Se o índice não carregar, ela diz que não conseguiu carregar, e não que não achou. As duas frases parecem a mesma coisa para quem lê rápido, e são opostas.
Prestação de contas de campanha
Além do bloco em cada ficha, há a página Quem financia as campanhas, com todos os repasses declarados numa linha por financiador × candidatura — quem financia mais de um candidato aparece uma vez para cada, com o valor de cada.
99,6% do dinheiro de pessoa jurídica vem de diretório partidário ou do fundo eleitoral, não de empresa: doação de empresa a candidato é inconstitucional desde 2015 (ADI 4650).
O prazo legal de prestação vai até depois de 04/10/2026, então a cobertura cresce a cada dia. Uma candidatura que não aparece não declarou zero — não declarou nada, e a ficha diz exatamente isso.
O nome do doador é publicado porque é dele que trata a prestação de contas. O CPF não: o TSE o publica em texto puro, e aqui ele é substituído por um código irreversível antes de ser gravado. CNPJ aparece legível — identifica empresa, não pessoa.
O endereço de uma ficha pode mudar
O endereço de cada ficha é feito do nome de urna mais o número do registro. O número não muda; o nome, sim — o TSE permite corrigi-lo depois de publicado, e 178 candidaturas já o fizeram nesta eleição, quase todas para consertar a grafia.
Quando isso acontece, a ficha ganha endereço novo e o antigo continua funcionando, encaminhando para ele. Link que você guardou ou citou não quebra. O endereço velho deixa de ser indexado pelos buscadores, para que os dois não disputem entre si, e não repete a grafia antiga em lugar nenhum — republicá-la seria continuar publicando exatamente o que a pessoa pediu para corrigir.
Acessibilidade
O site é medido contra a WCAG 2.2, nível AA, e a medição roda a cada geração — não é uma revisão que foi feita uma vez.
Os dezessete pares de cor que a folha de estilo usa são calculados nos dois temas, claro e escuro, e um par que caia abaixo do mínimo interrompe a construção do site. Três reprovavam no tema claro quando a medição começou a rodar.
Tema claro e tema escuro não são duas versões. O padrão é claro; o escuro entra quando o seu sistema declara essa preferência. Um celular no claro ao lado de um monitor no escuro mostram a mesma página com paletas diferentes — as duas medidas pelo mesmo critério.
Para quem não usa mouse: há um atalho para pular a navegação logo no início de cada página, o foco do teclado é sempre visível, e toda tabela que rola pode ser percorrida por teclado. Toda coluna de tabela é declarada como cabeçalho, para que o leitor de tela consiga dizer a que coluna pertence cada célula.
A cor nunca carrega a informação sozinha. A situação no TSE tem cor e tem o rótulo escrito ao lado, sempre. Cerca de 8% dos homens têm alguma forma de daltonismo, e verde e vermelho é justamente o par que some.
O relatório em PDF
A leitura agregada dos mesmos dados está num relatório de 31 páginas, com gráficos, ligado na página inicial. Ele não é escrito à mão: uma rotina consulta os mesmos marts que alimentam as fichas e outra formata o documento, e as duas estão no repositório junto com o resto.
Isso importa por um motivo prático. Um documento que afirma coisas sobre pessoas reais e não pode ser refeito não tem como ser conferido — e qualquer número que envelhecesse precisaria ser corrigido à mão dentro de um arquivo binário. Rodando as duas rotinas, o relatório inteiro se reconstrói a partir das fontes.
Erros
Este site é gerado por um pipeline aberto, com 257 verificações automáticas sobre os dados. Elas não pegam tudo — o erro de 2006 descrito acima passou por todas elas e foi encontrado por um leitor.
O código, os testes e o registro de cada decisão estão públicos em github.com/girocoju/dossie-eleitoral. Encontrou um número errado? Abra uma issue — a correção e o motivo dela ficam registrados lá.